No último sábado, 22 de agosto, durante o Congresso SINEPE Rio 2026: Educação na Era da Distração Digital, o professor e consultor de Inteligência Artificial do Colégio Andrews, Gabriel Goldmeier, convidou educadores a refletirem sobre uma questão cada vez mais urgente: o que acontece conosco quando máquinas passam a desempenhar tarefas que, até pouco tempo atrás, pareciam exclusivamente humanas?
Se a Revolução Industrial ampliou e superou nossa força física, a Inteligência Artificial avança agora sobre territórios como cognição, criatividade e autonomia. Diante desse cenário, Goldmeier destacou a importância da metacognição, ou seja, a capacidade de pensar sobre o próprio pensamento, compreender como aprendemos e avaliar nossos processos de decisão.
Uma das provocações que Gabriel trouxe ao público foi a diferença entre andaime e muleta. Como andaime, a IA pode ampliar capacidades, apoiar processos e liberar tempo para tarefas mais complexas. Como muleta, porém, pode substituir justamente aquilo que precisamos continuar exercitando: memória, atenção, autoria, autonomia e pensamento crítico.
Nesse contexto, o papel do professor se torna ainda mais relevante. Em um mundo de respostas instantâneas, cabe à escola fortalecer a capacidade de investigar, argumentar, criar, fazer escolhas e atribuir sentido ao conhecimento.
A palestra deixou uma pergunta essencial para quem pensa a Educação: como incorporar a Inteligência Artificial sem abrir mão da inteligência que desejamos desenvolver? Mais do que ensinar crianças e jovens a utilizarem as tecnologias de seu tempo, educar para o futuro significa formar pessoas capazes de compreender a si mesmas, questionar as ferramentas que utilizam e decidir conscientemente quando recorrer a elas.
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